quarta-feira, 28 de maio de 2014

A Passagem


(O Céu e o Inferno - Segunda Parte - Exemplos, cap. I - A passagem.)

1. A confiança na vida futura não exclui as apreensões da passagem desta vida à outra. Muitas pessoas não temem a morte pela própria morte; o que temem é o momento da transição. Sofre-se ou não se sofre na travessia? é isso o que as inquieta; e a coisa vale tanto mais a pena quanto ninguém pode escapar dela. Pode-se dispensar uma viagem terrestre; mas aqui, ricos como pobres devem dar esse passo, e se ele é doloroso, nem a posição nem a fortuna poderiam suavizar-lhe a amargura.
2. Ao ver a calma de certos mortos, e as terríveis convulsões de agonia de outros, já se pode julgar que as sensações não são sempre as mesmas; mas quem pode informar-nos a esse respeito? Quem nos descreverá o fenômeno fisiológico da separação da alma e do corpo? Quem nos dirá as impressões nesse instante supremo? Sobre este ponto a ciência e a religião são mudas.
E por que isso? Porque falta a ambas o conhecimento das leis que regem as relações do espírito e da matéria; uma se detém no limiar da vida espiritual, a outra no da vida material. O Espiritismo é o traço de união entre as duas; só ele pode dizer como se opera a transição, quer pelas noções mais positivas que ele dá da natureza da alma, quer pelo relato daqueles que deixaram a vida. O conhecimento do laço fluídico que une a alma e o corpo é a chave deste fenômeno, como de muitos outros.
3. A matéria inerte é insensível: isto é um fato positivo; só a alma experimenta as sensações do prazer e da dor. Durante a vida, toda desagregação da matéria repercute na alma que recebe daí uma impressão mais ou menos dolorosa. É a alma que sofre e não o corpo; este não é senão o instrumento da dor: a alma é o paciente. Após a morte, estando o corpo separado da alma ele pode ser impunemente mutilado, pois não sente nada; estando a alma isolada dele, não recebe nenhum dano da desorganização deste último; ela tem suas sensações próprias cuja fonte não está na matéria sensível.
O perispírito é o envoltório fluídico da alma, da qual ele não está separado nem antes, nem depois da morte, e com a qual ele constitui uma unidade, pois um não se pode conceber sem a outra. Durante a vida, o fluido perispiritual penetra o corpo em todas as suas partes e serve de veículo às sensações físicas da alma; é igualmente por seu intermédio que a alma age sobre o corpo e lhe dirige os movimentos.
4. A extinção da vida orgânica traz a separação da alma e do corpo pela ruptura do laço fluídico que os une; mas esta separação nunca é brusca; o fluido perispiritual se liberta pouco a pouco de todos os órgãos, de modo que a separação não é completa e absoluta a não ser quando não resta mais um único átomo do perispírito unido a uma molécula do corpo. A sensação dolorosa que a alma experimenta nesse momento é devida à soma dos pontos de contato que existem entre o corpo e o perispírito, e da maior ou menor dificuldade e lentidão que a separação apresenta. Não se deve portanto dissimular que, segundo as circunstâncias, a morte pode ser mais ou menos penosa. São essas diferentes circunstâncias que vamos examinar.
5. Estabeleçamos inicialmente, como princípio, os quatro casos seguintes, que se podem ver como as situações extremas, entre as quais há uma quantidade de nuances: 1º Se no momento da extinção da vida orgânica, o desprendimento do perispírito se operasse completamente, a alma não sentiria absolutamente nada; 2º se nesse momento a coesão dos dois elementos está com toda a sua força, produz-se uma espécie de dilaceramento que reage dolorosamente sobre a alma; 3º se a coesão é fraca, a separação é fácil e se opera sem abalo; 4º se, depois da cessação completa da vida orgânica, ainda existirem inúmeros pontos de contato entre o corpo e o perispírito, a alma poderá sentir os efeitos da decomposição do corpo até que o laço seja completamente rompido.
Disto resulta que o sofrimento, que acompanha a morte, está subordinado à força de aderência que une o corpo e o perispírito; que tudo o que pode ajudar na diminuição dessa força e na rapidez do desprendimento torna a passagem menos penosa; por fim, que se o desprendimento se opera sem nenhuma dificuldade, a alma não experimenta nenhuma sensação desagradável.
6. Na passagem da vida corpórea à vida espiritual produz-se ainda outro fenômeno de importância capital: é o da perturbação. Nesse momento, a alma experimenta um entorpecimento que paralisa momentaneamente suas faculdades e neutraliza, ao menos parcialmente, as sensações; ela fica, por assim dizer, em estado cataléptico, de sorte que quase nunca é testemunha consciente do último suspiro. Dizemos quase nunca porque há um caso em que ela pode ter consciência, como veremos em breve. A perturbação pode então ser considerada como o estado normal no instante da morte; sua duração é indeterminada; ela varia de algumas horas a alguns anos. À medida que a perturbação se dissipa, a alma fica na situação de um homem que sai de um sono profundo; as ideias são confusas, vagas e incertas; vê como através de um nevoeiro; pouco a pouco a vista clareia, a memória volta, e reconhece a si mesma. Mas esse despertar é bem diferente, de acordo com os indivíduos; nuns, é calmo e propicia uma sensação deliciosa; em outros, é cheio de terror e de ansiedade, e produz o efeito de um horrendo pesadelo.
7. O momento do último suspiro não é portanto o mais penoso, porque, quase sempre, a alma não tem consciência de si mesma; mas antes, ela sofre pela desagregação da matéria durante as convulsões da agonia, e depois, pelas angústias da perturbação. Apressemo-nos a dizer que esse estado não é geral. A intensidade e a duração do sofrimento são, como mencionamos, proporcionais à afinidade que existe entre o corpo e o perispírito; quanto maior essa afinidade, mais os esforços do Espírito para se soltar de seus laços são longos e penosos; mas há pessoas nas quais a coesão é tão fraca que o desprendimento se opera por si mesmo e naturalmente. O Espírito separa-se do corpo como um fruto maduro se solta de seu caule; é o caso das mortes calmas e dos despertares tranquilos.   
8. O estado moral da alma é a causa principal que influi sobre a maior ou menor facilidade do desprendimento. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego do Espírito à matéria; ela atinge seu máximo no homem cujas preocupações se concentram todas na vida e nos gozos materiais; é quase inexistente naquele cuja alma purificada se identificou por antecipação com a vida espiritual. Visto que a lentidão e a dificuldade da separação são proporcionais ao grau de purificação e de desmaterialização da alma, depende de cada um tornar essa passagem mais ou menos fácil ou penosa, agradável ou dolorosa.
Posto isto, ao mesmo tempo como teoria e como resultado de observação, resta-nos examinar a influência do gênero de morte sobre as sensações da alma no último momento.
9. Na morte natural, aquela que resulta da extinção das forças vitais pela idade ou a doença, o desprendimento se opera gradualmente; no homem cuja alma está desmaterializada e cujos pensamentos se desligaram das coisas terrestres, o desprendimento é quase completo antes da morte real; o corpo vive ainda a vida orgânica, e a alma já entrou na vida espiritual e não está mais ligada ao corpo a não ser por um laço tão fraco que se rompe sem dificuldade no último batimento do coração. Nessa situação, o Espírito pode ter já recuperado sua lucidez, e ser testemunha consciente da extinção da vida de seu corpo do qual está feliz de se ter libertado; para ele, a perturbação é quase nula; não é mais do que um momento de sono tranquilo, do qual ele sai com uma indizível impressão de felicidade e de esperança.
No homem material e sensual, aquele que viveu mais pelo corpo do que pelo espírito, para quem a vida espiritual não é nada, nem mesmo uma realidade em seu pensamento, tudo contribuiu para apertar os laços que o prendem à matéria; nada veio afrouxá-los durante a vida. Com a aproximação da morte, o desprendimento se opera também por graus, mas com esforços contínuos. As convulsões da agonia são o indício da luta travada pelo Espírito que por vezes quer romper os laços que lhe resistem, e outras vezes se agarra a seu corpo do qual uma força irresistível o arranca violentamente, parte por parte.
10. O Espírito apega-se tanto mais à vida corpórea quanto não vê nada além; ele sente que ela lhe escapa, e quer segurá-la; em vez de se abandonar ao movimento que o arrasta, ele resiste com todas as suas forças; pode assim prolongar a luta durante dias, semanas e meses inteiros. Sem dúvida, nesse momento, o Espírito não tem toda sua lucidez; a perturbação começou muito tempo antes da morte, mas ele não sofre menos por isso, e o vazio em que se encontra, a incerteza do que lhe advirá, juntam-se às suas angústias. A morte chega, e nem tudo acabou; a perturbação continua; ele sente que vive, mas não sabe se é vida material ou vida espiritual; continua a lutar até que as últimas amarras do perispírito sejam rompidas. A morte pôs um termo à doença efetiva, mas não acabou com suas consequências; enquanto existem pontos de contato entre o corpo e o perispírito, o Espírito sente seus golpes e sofre.
11. Bem diferente é a posição do Espírito desmaterializado, mesmo nas doenças mais cruéis. Sendo muito fracos os laços fluídicos que o unem ao corpo, eles se rompem sem nenhum abalo; depois, sua confiança no futuro, que ele já entrevê pelo pensamento, e às vezes mesmo em realidade, o faz encarar a morte como uma libertação e seus males como uma prova; daí, para ele, uma calma moral e uma resignação que aliviam o sofrimento. Depois da morte, sendo esses laços instantaneamente rompidos, nenhuma reação dolorosa se opera nele; ele se sente, ao despertar, livre, disposto, aliviado de um grande peso, e muito alegre por não mais sofrer.
12. Na morte violenta, as condições não são exatamente as mesmas. Nenhuma desagregação parcial pôde trazer uma separação prévia entre o corpo e o perispírito; a vida orgânica, em toda sua força, é subitamente detida; o desprendimento do perispírito não começa senão depois da morte, e, neste caso como nos outros, não se pode operar instantaneamente. O Espírito, pego de improviso, fica como que atordoado; mas, sentindo que pensa, acredita que ainda está vivo, e essa ilusão dura até que se tenha dado conta de sua situação. Esse estado intermediário entre a vida corpórea e a vida espiritual é um dos mais interessantes a estudar, porque apresenta o singular espetáculo de um Espírito que toma seu corpo fluídico pelo seu corpo material, e que experimenta todas as sensações da vida orgânica. Ele oferece uma variedade infinita de nuances segundo o caráter, os conhecimentos e o grau de adiantamento moral do Espírito. É de curta duração para aqueles cuja alma está purificada, porque neles havia um desprendimento antecipado do qual a morte, mesmo a mais súbita, apressa apenas o cumprimento; em outros, ele pode se prolongar durante anos. Esse estado é muito frequente, mesmo nos casos de morte comum, e não tem, para alguns, nada de penoso segundo as qualidades do Espírito; mas para outros, é uma situação terrível. É sobretudo no suicídio que essa posição é mais penosa. O corpo, ligado ao perispírito por todas as suas fibras, todas as convulsões do corpo repercutem na alma, que por isso experimenta atrozes sofrimentos.
13. O estado do Espírito no momento da morte pode resumir-se assim:
O Espírito sofre tanto mais quanto o desprendimento do perispírito é mais lento; a prontidão do desprendimento é proporcional ao grau de adiantamento moral do Espírito; para o Espírito desmaterializado cuja consciência é pura, a morte é um sono de alguns instantes, isento de todo sofrimento, e cujo despertar é cheio de suavidade.
14. Para trabalhar por sua purificação, reprimir suas más tendências, vencer suas paixões, é preciso ver as vantagens disso no futuro; para se identificar com a vida futura, dirigir a ela suas aspirações e preferi-la à vida terrestre, é preciso não só crer nela, mas compreendê-la; é preciso representá-la de maneira satisfatória para a razão, de acordo com a lógica, o bom senso e a ideia que se faz da grandeza, da bondade e da justiça de Deus. De todas as doutrinas filosóficas, o Espiritismo é a que exerce, sob esse aspecto, a mais poderosa influência pela fé inabalável que ele dá.
O espírita sério não se limita a crer; ele crê porque compreende, e ele compreende porque nos dirigimos ao seu julgamento; a vida futura é uma realidade que se desenrola incessantemente a seus olhos; ele a vê e a toca por assim dizer em todos os instantes; a dúvida não pode entrar na sua alma. A vida corporal tão limitada se apaga para ele diante da vida espiritual que é a verdadeira vida; daí o pouco caso que ele faz dos incidentes do caminho, e sua resignação nas vicissitudes de que ele compreende a causa e a utilidade. Sua alma se eleva pelas relações diretas que ele mantém com o mundo invisível; os laços fluídicos que o ligam à matéria se enfraquecem, e assim se opera um primeiro desprendimento parcial que facilita a passagem desta vida à outra. A perturbação inseparável da transição é de curta duração, porque, tão logo dado o passo, ele se reconhece; nada lhe é estranho; ele se dá conta de sua situação.

15. O Espiritismo, sem dúvida não é indispensável a este resultado; assim, ele não tem a pretensão de ser o único a assegurar a salvação da alma, mas ele a facilita pelos conhecimentos que proporciona, os sentimentos que inspira e as disposições nas quais coloca o Espírito, ao qual faz compreender a necessidade de se aperfeiçoar. Ele dá a cada um, além disso, os meios de facilitar o desprendimento dos outros Espíritos no momento em que eles deixam seu envoltório terrestre, e de abreviar a duração da perturbação pela prece e a evocação. Pela prece sincera, que é uma magnetização espiritual, provoca-se uma desagregação mais rápida do fluido perispiritual; por uma evocação conduzida com sabedoria e prudência, e por palavras de benevolência e de encorajamento, tira-se o Espírito do entorpecimento em que se encontra, e ele é ajudado a se reconhecer mais cedo; se ele é sofredor, é excitado ao arrependimento, único que pode abreviar os sofrimentos.

terça-feira, 27 de maio de 2014

A necessidade da Reencarnação - por Martha Antunes Moura

A  ideia da reencarnação é muito antiga, fazendo parte da tradição cultural e religiosa dos povos que constituem a humanidade terrestre. Não foi inventada pelo Espiritismo e foi confirmada por Jesus, em seu diálogo com o fariseu Nicodemos: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo,não pode ver o reino de Deus.” (João,3:3)
No túmulo de Allan Kardec, em Paris, contem a inscrição que  resume o pensamento espírita  a respeito do assunto:   “Nascer, morrer, renascer , ainda e progredir sem cessar, tal é a lei (a citação consta também do livro O que é o Espiritismo).
Encarnar, para os que acatam esta doutrina, refere-se ao primeiro nascimento do Espírito em um corpo físico, ou em determinada Humanidade. Reencarnar, diz respeito aos renascimentos sucessivos do Espírito, em um mesmo Planeta ou em outros. Assim, Deus impõe aos homens a “encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. [...] Mas para alcançarem essa perfeição, têm de sofrer todas as vicissitudes da existência corporal [...].”1
A encarnação tem ainda outra finalidade: a de por o Espírito em condições de cumprir  sua parte na obra da Criação. Para executá-la é que, em cada mundo, ele toma um instrumento [corpo físico] em harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É dessa forma que, contribuindo para obra geral, ele próprio se adianta. 1
A reencarnação é aceita como lei natural, que favorece a evolução do Espírito. Em cada existência corpórea, o Espírito recebe oportunidades para reparar equívocos comentidos em existências anteriores e para desenvolver novos aprendizados. Cada reencarnação é precedida de um planejamento, que permite ao reencarnante renascer no meio propício e junto a pessoas onde se faz necessário desenvolver aprendizados e os acertos espirituais.
A reencarnação expressa a justiça e a misericórdia divinas que, não condenando o infrator — tal como apregoa algumas interpretações religiosas — concede ao Espírito a oportunidade de corrigir erros, cometidos devido à própria ignorância de não saber medir as consequências das próprias ações,  magoando ou prejudicado pessoas.
Nesses termos, a reencarnação é, por princípio, o reajuste da consciência culpada perante as leis sábias e amorosas que governam o Universo. Ninguém dela está livre.
 É processo superior de aquisição de felicidade a que está destinada todas as criaturas, por efeito de sua herança divina: “A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia.”1
Os reajustes promovidos e viabilizados pela reencarnação assumem a forma de provas e de expiações, sempre de acordo com os erros cometidos e no âmbito da aquisição moral e intelectual de cada indivíduo. As provas são obstáculos naturais, impulsionadores do progresso. Já as expiações são provas mais difíceis, dolorosas, a que o Espírito se submete, decorrentes de um endividamento maior.
As reparações reencarnatórias ocorrem, então, segundo os ditames da lei de causa e efeito, mas a quitação da dívida pode ser feita pela dor (provações/expiações) ou pela prática do amor, segundo ensinamento do apóstolo Pedro: “Tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de  pecados.” 1, Pedro, 4:8.
Referência
1.        KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010, questão 132, p.147.


http://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/necessidade-da-reencarnacao/

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Saibamos confiar

  "Não andeis, pois, inquietos." - Jesus. (anotado por Mateus, 6:31)

  Jesus não recomenda a indiferença ou a irresponsabilidade.
  O Mestre, que preconizou a oração e a vigilância, não aconselharia a despreocupação do discípulo ante o acervo do serviço a fazer.
  Pede apenas combate ao pessimismo crônico.
  Claro que nos achamos a pleno trabalho, na lavoura do Senhor, dentro da ordem natural que nos rege a própria ascensão.
  Ainda nos defrontaremos, inúmeras vezes, com pântanos e desertos, espinheiros e animais daninhos.
  Urge, porém, renovar atitudes mentais na obra a que fomos chamados, aprendendo a confiar no Divino Poder que nos dirige.
  Em todos os lugares, há derrotistas intransigentes.
  Sentem-se nas trevas, ainda mesmo quando o Sol fulgura no zênite.
  Enxergam baixeza nas criaturas mais dignas.
  Marcham atormentados por desconfianças atrozes. E, por suspeitarem de todos, acabam inabilitados para a colaboração produtiva em qualquer serviço nobre.
  Aflitos e angustiados, desorientam-se a propósito de mínimos obstáculos, inquietam-se com respeito a frivolidades de toda sorte e, se pudessem, pintariam o firmamento à cor negra para que a mente do próximo lhes partilhe a sombra interior.
  Na Terra, Jesus é o Senhor que se fez servo de todos, por amor, e tem esperado nossa contribuição na oficina dos séculos. A confiança d'Ele abrange as eras, sua experiência abarca as civilizações, seu devotamento nos envolve há milênios...
  Em razão disso, como adotar a aflição e o desespero, se estamos apenas começando a ser úteis?
  (Emmanuel, livro Vinha de Luz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pg 185-186)

domingo, 11 de maio de 2014

Aviso, chegada e entendimento


Livro Seara dos Médiuns, Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier

  A intervenção franca do Plano Espiritual, no Plano Físico, pode ser admitida no conceito popular como em­baixada portadora de metas decisivas, a definir-se em três períodos essenciais: aviso, chegada e entendimento.
  De Swedenborg a Andrew Jackson Davis, surpreende­mos a mediunidade ativa, sob as ordens da Esfera Supe­rior, no aviso da renovação necessária.
  E se pequenas disparidades são registradas no verbo dos obreiros em serviço, é justo lembrar que na interpre­tação da realidade, quanto na interpretação da música, a expressão isolada varia, conforme as peculiaridades do instrumento.
  Em 1848, no vilarejo de Hydesville, inicia-se publica­mente a chegada dos comandos da sobrevivência.
  Os emissários desencarnados, quais familiares há muito tempo ausentes da própria casa, alcançam a mora­dia terrestre, batendo freneticamente à porta.
  Na residência dos Fox, não faltam nem mesmo as palmas de quem chega e de quem recepciona, entre a me­nina Kate e o Espírito Charles Rosna, baseando-se em pancadas os rudimentos da linguagem primitiva entre os dois planos.
Desde então, embora as dificuldades morais de mui­tos dos trabalhadores humanos, reencarnados no circulo terrestre, começam a operar diversas comissões mediú­nicas, chamando pacificamente a atenção da Terra.
  Os fenômenos físicos por Daniel Dunglas Home e pelos irmãos Davenport, por Florence Cook e por Eusápia, tanto quanto através de outros medianeiros, falam à aris­tocracia do poder e da inteligência, em palácios e labo­ratórios, agitando os salões de lazer e as preocupações da imprensa.
  Aos ruídos da visitação invisível, misturam-se os ruidos da opinião.
 Ouvem-se batidas surpreendentes aqui e ali, mãos lu­minosas acenam por toda a parte, vozes ressoam entre lábios selados, mensagens rápidas são transmitidas, de maneira direta, e entidades materializam-se ante os ex­perimentadores, tomados de assombro.
  Entretanto, a obra do entendimento é encetada com Allan Kardec, que esclarece a posição da doutrina e do fenômeno, como quem separa o trigo da vestimenta de palha, estabelecendo rumos, criando obrigações e definin­do responsabilidades.
  Mas, como toda edificação espiritual obedece à cro­nologia da mente, ainda hoje encontramos milhares de pessoas na fase do aviso e milhares de outras na fase da chegada, entre a esperança e a convicção.

  Quanto a nós, que nos achamos na fase do entendi­mento, saibamos concretizar os princípios da fraternidade e esparzir o socorro moral, em beneficio das consciências, estendendo a luz ao coração do povo, porqüanto o Plano Espiritual atinge o Plano Físico, em cumprimento das promessas do Cristo, de modo a reunir todas as criaturas na lei do bem e habilitá-las, convenientemente, para a continuidade do serviço de hoje, no grande futuro ou no grande além, ante a Vida Maior.

domingo, 27 de abril de 2014

As dimensões do homem e a depressão

O Ser Humano Como Unidade Bio-psico-sócio-espiritual
Queremos propor ver o homem em algumas dimensões que o tornam único e diferente dos outros seres. Enfocaremos o homem nas usas dimensões biológica, psicológica, social e espiritual.

A dimensão biológica refere-se aos aspectos físicos do corpo: anatomia, a fisiologia, os sistemas muscular, digestivo, ósseo, hormonal, respiratório, as funções e disfunções dos diversos órgãos etc.

A dimensão psicológica refere-se aos aspectos ligados à personalidade do ser humano, manifestada no comportamento motivado por instâncias conscientes e inconscientes. Incluem-se nesta dimensão o pensamento, a memória, os raciocínios o contato e a expressão de sentimentos, emoções, desejos, vontades, necessidades de segurança, de auto-estima, de realização.

A dimensão social diz respeito aos aspectos ligados à vida em grupo, enfocando os fatores econômicos, políticos, ideológicos e culturais. Esta dimensão inclui, necessariamente, a interação e, consequentemente, todos os fenômenos que acontecem na interação entre pessoas e grupos. As necessidades de associação, de uma vida social estão aqui incluídas.

 A dimensão espiritual é uma dimensão que ultrapassa a matéria tal como a conhecemos. É uma noção interna da forma de vida.
Uma vez entendido que o homem existe nessas dimensões, isso quer dizer que suas necessidades, sua satisfação e seu funcionamento estão dentro dessas dimensões. Elas não existem isoladas. Essas dimensões estão interligadas e funcionam como vasos comunicantes. As emoções têm uma ligação direta com o aspecto físico. As descargas de adrenalina na corrente sanguínea são uma mostra de que o psicológico tem repercussão no biológico. As tensões causadas pelo social, pelo econômico também têm influência nos aspectos biológicos e psicológicos.
A saúde vai, então, permear todas esses dimensões. É o  equilíbrio dinâmico entre esses aspectos, que guiará a saúde do ser humano.

DEPRESSÃO
·         CONCEITO: Do ponto de vista clínico, a depressão pode ser conceituada como uma alteração do estado de humor, uma tristeza intensa, um abatimento profundo, com desinteresse pelas coisas. Tudo perde a graça, o mundo fica cinza, viver torna-se tarefa difícil, pesada, com idéias fixas e pessimistas.
·         Poderíamos considerá-la como uma emoção ESTAGNADA. As emoções naturais devem ser passageiras, circularem normalmente, sem desequilibrar o ser. A tristeza por exemplo, é uma emoção natural, que nos leva a entrar em contato conosco, à introspecção e à reflexão sobre nossas atitudes. Agora, uma vez estagnada, prolongada, nos leva a depressão.
·         Estima-se que a depressão incida em cerca de 14% da população, ou seja, temos no Brasil cerca de 2 milhões de deprimidos.

·         CAUSAS: A depressão tem muitas causas, não existindo uma em especial.
1 - Causas por fatores externos, geralmente perdas ou frustrações, tais como separação, perda de um ente querido, etc.
2 - Doenças Orgânicas: Acidente vascular cerebral ("derrame"), tumor cerebral, doenças da tireóide etc.
3- Por deficiência de neurotransmissores ( serotonina e noradrenalina ). Quando estes dois neurotransmissores existem em quantidades normais, nas ligações dos neurônios, não é sentido qualquer tipo de sintoma de depressão, seja ele físico ou emocional. Porém, uma pessoa deprimida não tem a quantidade suficiente de noradrenalina e serotonina nas ligações entre os neurônios. 
4 - Outro fator que está determinando esta incidência alarmante de depressão nos nossos dias é o isolamento, a insegurança e o medo que estão acometendo as pessoas na sociedade contemporânea.
5 - Absorvido pelos valores imperantes como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não perder, de ser o melhor, de não falhar, o homem está de afastando de si e de sua natureza. Adota então uma máscara(persona), que utiliza para representar um "papel" na sociedade. E, nesta vivência neurotizante, ele deixa de desenvolver sua potencialidades, não se abre, nem expõe suas emoções, pois estas demonstram que de fato ele é.
Embora todas as possibilidades acima sejam verdadeiras como desencadeadoras, não explicam porque alguns indivíduos, sofrendo as mesmas contingências, não desenvolvem um quadro depressivo.
A causa da depressão vige na alma e não somente no corpo físico.
A depressão é uma doença da alma.
O centro de força mais afetado é o gástrico por ser o centro das emoções. A depressão é a tristeza deteriorada. O duplo etérico é gravemente acometido apresentando dificuldades em fazer circular as energias necessárias à vida. A aura é acizentada demonstrando uma existência sem vida.
·         André Luiz cita nas suas obras que os estados da mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo.
·         Segundo Emmanuel, a depressão interfere na mitose (divisão) celular, contribuindo para o aparecimento do câncer e de outras doenças imunológicas, sobretudo a deficiência imunitária facilitando às infecções. Na depressão existe uma perda de energia vital no organismo, num processo de desvitalização.

TRATAMENTO: 

O tratamento deverá ser abrangente, holístico. Para efeito didático, diremos: médico, psicológico e principalmente espiritual.
O tratamento médico é imprescindível na fase crítica. O uso dos antidepressivos estabelece a harmonia químico cerebral , melhorando o humor do paciente . Cuidam simplesmente do efeito , pois os medicamentos não curam a depressão; provavelmente restabelecem o trânsito das mensagens neuronais , melhorando o funcionamento neuroquímico do SNC (sistema nervoso central).
O tratamento psicológico ganha importância pelo fato de auxiliar no auto-conhecimento , nas resoluções de conflitos e tomada de posição diante dos problemas .
O tratamento espiritual é importantíssimo porque o " espírito é o fundamento da vida". Quando não valorizamos o tratamento espiritual , os resultados costumam ser precários , as recidivas constantes , com uma tendência ao envelhecimento precoce.
A porta da alma se abre pelo lado de dentro.
Quem trabalha efetivamente na doutrina espírita e atua num centro bem orientado sabe que é perfeitamente possível libertar-se, em breve tempo, do terrível flagelo que é a depressão.
De acordo com os Evangelhos, Jesus, o divino Mestre, outra coisa não fazia senão redirecionar a sintonia de inúmeros doentes do corpo e da alma para as esferas superiores dos sentimentos, com isso, curou inúmeros "endemoninhados" e "lunáticos".
É dele a máxima preventiva: "Vigiai e orai!"

Preceitos de Saúde
André Luiz/Francisco Cândido Xavier
1- Guarde o coração em paz, à frente de todas as situações e de todas as coisas.Todos os patrimônios da vida pertencem a Deus.
2- Apoie-se no dever rigorosamente cumprido. Não há equilíbrio físico sem harmonia espiritual.
3- Cultive o hábito da oração. A prece é Luz na defesa do corpo e da alma.
4- Ocupe o seu tempo disponível com o trabalho proveitoso, sem esquecer o descanso imprescindível ao justo refazimento. A sugestão                                                                                                                                                                                 das trevas chega até nos pela hora vazia.
5- Estude sempre. A renovação das idéias favorece a sábia renovação das células orgânicas.
6-Evite a cólera. Enraivecer-se é animalizar-se caindo nas sombras de baixo nível.
7-Fuja a maledicência. O lodo agitado atinge a quem o revolve.
8-Sempre que possível, respire a longos haustos e não olvide o banho diário, ainda que ligeiro. O ar puro é precioso alimento e a limpeza é simples obrigação.
9- Coma pouco. A criatura sensata come para viver,enquanto a criatura imprudente vive para comer.
10- Use a paciência e o perdão infatigavelmente. Todos nos temos sido caridosamente tolerados pela Bondade Divina milhões de vezes e conservar o coração no vinagre da intolerância é provocar a própria queda na morte inútil.

(Mensagem Extraída do Livro "Aulas da Vida")