quarta-feira, 22 de junho de 2016

Conselhos sobre a mediunidade curadora

Resultado de imagem para mediunidade curadoraComo já vos foi dito muitas vezes nas diferentes instruções, a mediunidade curadora, conjuntamente com a faculdade de vidên­cia, é chamada a desempenhar um grande papel no período atual da revelação. São os dois agentes que cooperam com a maior força na regeneração da Humanidade e para a fusão de todas as crenças numa crença única, tolerante, progressiva, universal.
Quando, recentemente, me comuniquei numa reunião da Sociedade, onde me haviam evocado, eu disse e repito que todo mundo possui em maior ou menor grau a faculdade curadora, e se cada um quisesse consagrar-se seriamente ao estudo dessa faculdade, muitos médiuns que se ignoram poderiam prestar úteis serviços a seus irmãos em humanidade. Nessa oportunidade o tempo não me permitiu desenvolver todo o meu pensamento a esse respeito. Aproveitarei o vosso apelo para fazê-lo hoje.
Em geral, aqueles que buscam a faculdade curadora têm como único desejo o restabelecimento da saúde material, de obter a liberdade de ação de tal órgão,impedido nas suas funções por uma causa material qualquer. Mas, sabei-o bem, é o menor dos serviços que esta faculdade está chamada a prestar, e só a conheceis em suas primícias e de maneira inteiramente rudimentar, se lhe conferis esse único papel... Não, a faculdade curadora tem missão mais nobre e mais extensa!... Se ela pode dar aos corpos o vigor da saúde, também deve dar às almas toda a pureza de que são susceptíveis, e é somente neste caso que poderá ser chamada curativa, no sentido absoluto da palavra.
Muitas vezes vos disseram, e vossos instrutores nunca se cansariam de repetir, que o efeito material aparente, o sofrimento, tem quase constantemente uma causa mórbida imaterial, residindo no estado moral do Espírito. Se, pois, o médium curador ataca os males do corpo, só ataca o efeito, e a causa primeira do mal continuando, o efeito pode reproduzir-se, quer sob a forma primordial, quer sob qualquer outra aparência. Muitas vezes aí está uma das razões pelas quais tal doença, subitamente curada pela influência de um médium, reaparece com todos os seus acidentes, desde que a influência benéfica se afaste, porque não resta nada, absolutamente nada para combater a causa mórbida.
Para evitar essas recidivas, é necessário que o remédio espiritual ataque o mal em sua base, como o fluido material o destrói em seus efeitos; numa palavra, é preciso tratar, ao mesmo tempo, o corpo e a alma.
Para ser bom médium curador, não só é preciso que o corpo esteja apto a servir de canal aos fluidos materiais reparadores, mas é preciso, ainda, que o Espírito possua uma força moral que ele não pode adquirir senão por seu próprio melhoramento. Para ser médium curador, portanto, é preciso preparar-se, não só pela prece, mas pela depuração de sua alma, a fim de tratar fisicamente do corpo pelos meios físicos e de influenciar a alma pela força moral.
Uma última reflexão. Aconselham-vos a procurar de preferência os pobres que não têm outros recursos além da caridade do hospital. Não estou inteiramente de acordo com este conselho. Jesus dizia que o médico tem por missão cuidar dos doentes e não dos que estão com saúde. Lembrai-vos que na questão de saúde moral há doentes por toda parte, e que o dever do médico é ir a todos os lugares onde o seu socorro é necessário.


Abade Príncipe DE HOHENLOHE.

(Revista Espírita, outubro de 1867 - Dissertações espíritas)
                                    (Paris, 12 de março de 1867. Grupo Desliens - Médium, Sr. Desliens)

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Origem da Linguagem

 Meus caros e bem-amados amigos ouvintes, pedis-me hoje que eu dite ao meu médium a história da linguagem. Tentarei satisfazer-vos. Deveis, porém, compreender que me será impossível, nalgumas linhas, tratar inteiramente da importante questão, à qual se liga forçosamente outra mais importante, a da origem das raças humanas.
            Que Deus Todo-Poderoso, tão benevolente para com os espíritas, me conceda a lucidez necessária para afastar de minha dissertação toda confusão, toda obscuridade e sobretudo todo erro.
            Entro na matéria dizendo-vos que admitamos, inicialmente, como princípio, esta eterna verdade: O Criador deu a todos os seres da mesma raça um modo especial, mas seguro, para se entenderem reciprocamente. Não obstante, esse modo de comunicação, essa linguagem, era tanto mais restrita quanto mais inferiores eram as espécies. É em virtude dessa verdade, dessa lei, que os selvagens e os povos pouco civilizados possuem línguas tão pobres que uma porção de termos usados nas regiões favorecidas pela civilização lá não encontram vocábulos correspondentes, e é em obediência a essa mesma lei que as nações que progridem criam novas expressões para novas descobertas e novas necessidades.
            Como eu disse alhures, a Humanidade já atravessou três grandes períodos: a fase bárbara, a fase hebraica e pagã e a fase cristã. A esta última sucederá o grande período espírita, cujos alicerces lançamos entre vós.
            Examinemos, pois, a primeira fase e o começo da segunda, e aqui só posso repetir o que eu já disse. A primeira fase humana, que poderemos chamar pré-hebraica ou bárbara, arrastou-se por muito tempo e lentamente em todos os horrores e convulsões de uma barbárie terrível. Aí o homem é peludo como um animal selvagem e, como as feras, abriga-se em cavernas e nos bosques. Vive de carne crua e se repasta de seu semelhante, como de uma excelente caça. É o mais absoluto reino da antropofagia. Não há sociedade nem família! Alguns grupos dispersos aqui e ali, vivem na mais completa promiscuidade, sempre prontos a se entredevorarem. Tal é o quadro desse período cruel.
            Nenhum culto, nenhuma tradição, nenhuma ideia religiosa. Apenas as necessidades animais a satisfazer, eis tudo!
            Prisioneira de uma matéria estupidificante, a alma fica morna e latente em sua prisão carnal. Ela nada pode contra os muros grosseiros que a encerram, e sua inteligência mal pode mover-se nos compartimentos de um cérebro estreito.
            O olho é embaciado, a pálpebra pesada, o lábio grosso, o crânio achatado, e alguns sons guturais bastam como linguagem.
            Nada prenuncia que desse animal bruto sairá o pai das raças hebraicas e pagãs. Contudo, com o tempo, eles sentem a necessidade de se defenderem contra os outros carnívoros, como o leão e o tigre, cujas presas terríveis e garras afiadas facilmente dominavam o homem isolado. Assim realiza-se o primeiro progresso social. Não obstante, o reinado da matéria e da força bruta se manteve durante toda essa fase cruel.
            No homem dessa época, não procureis sentimentos nem razão, nem linguagem propriamente dita. Ele obedece apenas à sua sensação grosseira, e só tem como objetivo comer, beber e dormir. Nada além disso. Pode-se dizer que o homem inteligente ainda está em germe, mas que não existe ainda.
            Contudo, é preciso constatar que entre as raças brutais já aparecem alguns seres superiores, Espíritos encarnados, com a tarefa de conduzir a Humanidade ao seu objetivo e apressar o advento da era hebraica e pagã.
            Devo acrescentar que, além desses Espíritos encarnados, o globo terrestre era frequentemente visitado por esses ministros de Deus cuja memória foi conservada pela tradição sob os nomes de anjos e de arcanjos, que quase diariamente se punham em contato com os seres superiores, Espíritos encarnados, dos quais falei. A missão de alguns desses anjos continuou durante uma grande parte da segunda fase humanitária. Devo acrescentar que o rápido quadro que acabo de fazer dos primeiros tempos da Humanidade vos ensina, um pouco, a que leis rigorosas são submetidos os Espíritos que se exercitam a viver nos planetas de formação recente.
            A linguagem propriamente dita, como a vida social, não começa a ter um caráter certo senão a partir da era hebraica e pagã, durante a qual o Espírito encarnado, sempre sujeito à matéria, começa a se revoltar e a quebrar alguns elos de sua pesada cadeia. A alma fermenta e se agita em sua prisão carnal; por seus esforços reiterados reage energicamente contra as paredes do cérebro, cuja matéria ela sensibiliza; ela melhora e aperfeiçoa por um trabalho constante o desempenho de suas faculdades e, consequentemente, os órgãos físicos se desenvolvem; enfim, o pensamento se deixa ler num olhar límpido e claro. Já estamos longe das frontes achatadas! É que a alma se sente, se reconhece, tem consciência de si mesma e começa a compreender que ela é independente do corpo. Também, a partir deste momento, ela luta com ardor para se desvencilhar da opressão de sua robusta rival. O homem se modifica cada vez mais e a inteligência se move mais livremente num cérebro mais desenvolvido. Todavia, constatamos que nessa época o homem ainda é cercado e registrado como o gado, o homem escravo do homem; a escravidão é consagrada pelo Deus dos Hebreus, tanto quanto pelos deuses pagãos, e Jeová, assim como Júpiter Olímpico, pede sangue e vítimas vivas.
            Essa segunda fase oferece aspectos curiosos do ponto de vista filosófico; sobre o que já tracei um quadro rápido, que meu médium logo vos comunicará.
            Como quer que seja, e para voltar ao tema deste estudo, tende por certo que não foi senão na época dos grandes períodos pastorais e patriarcais que a linguagem humana tomou uma marcha regular e adotou formas e sons especiais.
            Durante essa época primitiva, em que a Humanidade saía dos cueiros e balbuciava na primeira infância, poucas palavras bastavam aos homens, para os quais ainda não tinha nascido a ciência, cujas necessidades eram muito restritas, e cujas relações sociais paravam à porta das tendas, à soleira da família, e mais tarde nos confins da tribo. Era a época em que o pai, o pastor, o ancião, o patriarca, numa palavra, dominava como senhor absoluto, com direito de vida e de morte.
            A língua primitiva foi uniforme; mas, à medida que crescia o número de pastores, estes, deixando por sua vez a tenda paterna, foram fundar nas regiões desabitadas novas famílias, novas tribos. Então a língua por eles usada se diferenciou gradativamente, de geração em geração, da que era usada na tenda paterna; foi assim que os diversos idiomas foram criados.
            De resto, ainda que minha intenção não seja dar um curso de linguística, não vos passa despercebido que, nas línguas mais díspares, encontrais palavras cujo radical pouco variou e cuja significação é quase a mesma. Por outro lado, posto tenhais a pretensão de ser um velho mundo, o mesmo motivo que corrompeu a língua primitiva, reina ainda soberano em vossa França tão orgulhosa de sua civilização, onde vedes as consonâncias, os termos e a significação variarem, não direi de província a província, mas de comuna a comuna. Apelo para o testemunho daqueles que viajaram pela Bretagne, como para os que percorreram a Provence e o Languedoc. É uma variedade de idiomas e de dialetos que espanta aquele que os quisesse coligir num único dicionário.
            Uma vez que os homens primitivos, ajudados nisso pelos missionários do Eterno, emprestaram a certos sons especiais certas ideias especiais, foi criada a língua falada, e as modificações que ela sofreu mais tarde foram sempre em razão do progresso humano; por conseguinte, conforme a riqueza de uma língua, pode-se estabelecer facilmente o grau de civilização atingido pelo povo que a fala. O que posso acrescentar é que a Humanidade marcha para uma língua única, como consequência forçada de uma comunidade de ideias em moral, em política, e sobretudo em religião. Tal será a obra da filosofia nova, o Espiritismo, que hoje vos ensinamos. 

ERASTO
(Revista Espírita, novembro de 1862 - Dissertações espíritas)

(Sociedade Espírita de Paris - Médium: Sr. d’Ambel)

terça-feira, 19 de abril de 2016

O Livro dos Espíritos

DOUTRINA ESPÍRITA - 159 ANOS

Como singela homenagem e com profunda gratidão a Deus, ao Espírito de Verdade, a Allan Kardec e ao Espíritos superiores que proporcionaram à Terra o Consolador, como Ciência e Filosofia moral, compartilhamos com os assinantes do IPEAK o seguinte texto que o Mestre publicou na Revista Espírita de janeiro de 1858:

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

CONTENDO OS PRINCÍPIOS DA DOUTRINA ESPÍRITA

Sobre a natureza do mundo incorpóreo, suas manifestações e suas relações com os homens; as leis morais, a vida presente, a vida futura e o futuro da Humanidade.

ESCRITO DE ACORDO COM O DITADO E PUBLICADO POR ORDEM DOS ESPÍRITOS SUPERIORES

Por Allan Kardec

Como o indica o título, esta obra não é uma doutrina pessoal: é o resultado do ensino direto dos próprios Espíritos sobre os mistérios do mundo onde estaremos um dia e sobre todas as questões que interessam à Humanidade; eles nos dão de algum modo um código de vida, traçando-nos a rota da felicidade porvindoura. Como este livro não é fruto de nossas ideias, pois sobre muitos pontos importantes tínhamos uma maneira de ver bem diversa, nossa modéstia nada teria a sofrer com elogios. Preferimos, entretanto, deixar que falem os que estão inteiramente desinteressados por esta questão.
Sobre este livro, o Courrier de Paris, de 11 de junho de 1857, estampou o seguinte artigo:

A DOUTRINA ESPÍRITA

Faz pouco tempo publicou o editor Dentu uma obra deveras notável, diríamos mesmo muito curiosa, se não houvesse coisas às quais repugna qualquer classificação banal.
O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nessa página. Seria lamentável que pensassem estarmos aqui a fazer reclame bibliográfico: se tal se pudesse admitir, preferiríamos quebrar a pena. Não conhecemos absolutamente o autor, mas proclamamos bem alto que gostaríamos de conhecê-lo. Quem escreveu aquela introdução que abre O Livro dos Espíritos deve ter a alma aberta a todos os sentimentos nobres.
Aliás, para que não se ponha em dúvida a nossa boa-fé e nos acusem de partidarismo, diremos com toda a sinceridade que jamais fizemos um estudo aprofundado das questões sobrenaturais. Apenas, se os fatos produzidos nos causaram admiração, pelo menos não nos levaram a dar de ombros. Somos um pouco da classe chamada dos sonhadores, porque não pensamos como todo mundo. A vinte léguas de Paris, ao cair da tarde, quando em nossa volta tínhamos apenas algumas cabanas esparsas, pensamos naturalmente em coisas muito diversas da Bolsa, do macadame dos bulevares ou nas corridas de Longchamp. Muitas vezes nos interrogávamos e, durante muito tempo, antes de ter ouvido falar em médiuns, a respeito do que se passava nas regiões que se convencionou chamar o Alto. Há tempos chegamos mesmo a esboçar uma teoria sobre os mundos invisíveis, guardando-a ciosamente para nós e nos sentimos muito felizes porque a encontramos, quase que por inteiro, no livro do Sr. Allan Kardec.
A todos os deserdados da Terra; a todos quantos marcham e que, nas suas quedas, regam com as lágrimas o pó da estrada, diremos: Lede o Livro dos Espíritos. Ele vos tornará mais fortes. Também aos felizes, aos que pelo caminho só encontram as aclamações e os sorrisos da fortuna, diremos: Estudai-o e ele vos tornará melhores.
O corpo da obra, diz o Sr. Allan Kardec, deve ser atribuído inteiramente aos Espíritos que o ditaram. Está admiravelmente dividido no sistema de perguntas e respostas. Por vezes estas últimas são sublimes, o que não nos surpreende. Mas não foi necessário um grande mérito a quem soube provocá-las?
Desafiamos os mais incrédulos a rir quando lerem esse livro em silêncio e na solidão. Todos honrarão aquele que lhe escreveu o prefácio.
A doutrina se resume em duas palavras: Não façais aos outros o que não quereis que vos façam.Lamentamos que o Sr. Allan Kardec não tivesse acrescentado: e fazei aos outros como quereríeis que vos fizessem. Aliás, o livro o diz claramente, sem o que a doutrina não seria completa. Não basta não fazer o mal; é preciso ainda que se faça o bem. Se fores apenas homem de bem, só terás cumprido a metade do dever. Sois um átomo imperceptível desta grande máquina chamada mundo, na qual nada é inútil. Não nos digam que é possível ser útil sem fazer o bem. Seríamos forçados a escrever um livro para responder.
Lendo as admiráveis respostas dos Espíritos na obra do Sr. Kardec, dissemos a nós mesmo que havia um belo livro a escrever. Logo verificamos, entretanto, o nosso engano. O livro já está escrito. Procurando completá-lo, apenas o estragaríamos.
O senhor é homem de estudo e tem aquela boa-fé que apenas necessita instruir-se? Então leia o Livro Primeiro sobre a Doutrina Espírita.
O senhor está na classe das criaturas que apenas se ocupam consigo mesmas e que, como se costuma dizer, fazem os seus negócios muito tranquilamente e nada enxergam além dos próprios interesses? Leia as Leis Morais.
A desgraça o persegue encarniçadamente e a dúvida o tortura por vezes no seu abraço gelado? Estude o terceiro livro: Esperanças e Consolações.
Todos quantos aninham pensamentos nobres no coração e acreditam no bem, leiam o livro da primeira à última página.
Aos que encontrassem ali matéria para zombarias, o nosso sincero lamento.

G. DU CHALARD.

Das numerosas cartas que nos têm sido dirigidas desde a publicação do Livro dos Espíritos,citaremos apenas duas, porque, de certo modo, resumem a impressão produzida pelo livro e o fim essencialmente moral dos princípios que o mesmo encerra.

Bordeaux, 25 de abril de 1857.

Senhor,

V. Sª. submeteu minha paciência a uma grande prova, pelo retardamento da publicação do Livro dosEspíritos, há tanto tempo anunciado. Felizmente não perdi com a espera, porque ele ultrapassa toda a ideia que eu havia feito, baseado no prospecto. Impossível descrever o efeito em mim produzido. Sinto-me como um homem que saiu da escuridão. Parece-me que uma porta, até hoje fechada, abriu-se subitamente e minhas ideias ampliaram-se em poucas horas! Oh! Quanto a Humanidade e todas essas miseráveis preocupações me parecem mesquinhas e pueris ao lado desse futuro de que não duvidava, mas que me era de tal modo obscurecido pelos preconceitos, que eu apenas o imaginava! Graças ao ensino dos Espíritos, agora ele se me apresenta sob uma forma definida, perceptível, mas grande, bela, e em harmonia com a majestade do Criador.
Quem quer que leia esse livro meditando, como eu, nele encontrará inesgotável tesouro de consolações, pois que ele abarca todas as fases da existência. Em minha vida sofri perdas que me afetaram vivamente; hoje não me causam nenhum desgosto e toda a minha preocupação é empregar utilmente o tempo e minhas faculdades para acelerar meu progresso, pois agora para mim o bem tem uma finalidade e compreendo que uma vida inútil é uma vida egoística, que não nos ajudará a avançar na vida futura.
Se todos os homens que pensam como eu e como o senhor, e que são muitos, ao que espero, para honra da Humanidade, pudessem entender-se, reunir-se e trabalhar de comum acordo, que poder não teriam para apressar essa regeneração que nos é anunciada!
Quando eu for a Paris terei a honra de procurá-lo e, se não for abusar do seu tempo, pedir-lhe-ei mais explicações sobre certos trechos e alguns conselhos sobre a aplicação das leis morais em certas circunstâncias que me são pessoais.
Receba, senhor, a expressão de todo o meu reconhecimento, porque o senhor me proporcionou um grande bem, mostrando-me o único caminho da felicidade real neste mundo e, quiçá, além disso, um lugar melhor no outro.

Seu dedicado,
D...
Capitão reformado

Lyon, 4 de julho de 1857.

Senhor,

Não sei como lhe exprimir o meu reconhecimento pela publicação do Livro dos Espíritos, que acabo de reler. Como tudo quanto o senhor nos ensina é consolador para a nossa pobre Humanidade! Por mim confesso que me sinto mais forte e mais encorajado para suportar as penas e os aborrecimentos ligados à minha pobre existência.
Faço muitos amigos meus partilharem das convicções adquiridas na leitura de sua obra: todos se sentem muito felizes; compreendem agora as desigualdades das posições sociais e não murmuram contra a Providência; a esperança fundamentada num futuro mais feliz, desde que bem se conduzam, os conforta e lhes dá coragem.
Queria eu, senhor, ser-lhe útil. Sou um simples filho do povo, que se criou numa posição insignificante pelo trabalho, mas a quem falta instrução, pois fui obrigado a trabalhar desde menino. Entretanto, sempre amei a Deus e fiz tudo quanto era possível para ser útil aos meus semelhantes. Eis por que procuro tudo que possa aumentar a felicidade de meus irmãos. Vamos nos reunir, diversos adeptos esparsos, e faremos esforços para ajudá-lo. O senhor levantou a bandeira e nossa obrigação é segui-lo. Contamos com o seu apoio e os seus conselhos.
Subscrevo-me, senhor, se me permite chamá-lo de confrade, seu dedicado

C...

Muitas vezes nos foram dirigidas perguntas sobre a maneira por que foram obtidas as comunicações que constituem o Livro dos Espíritos. Resumimos aqui, com muito prazer, as respostas que temos dado a tais perguntas. É uma oportunidade para resgatarmos uma dívida de gratidão para com as pessoas que tiveram a boa vontade de nos prestar o seu concurso.
Como explicamos, as comunicações por meio de batidas, outrora chamadas tiptologia, são muito lentas e muito incompletas para um trabalho de fôlego, por isso tal recurso jamais foi utilizado. Tudo foi obtido pela escrita, por intermédio de diversos médiuns psicógrafos. Nós mesmos preparamos as perguntas e coordenamos o conjunto da obra. As respostas são, textualmente, as que nos deram os Espíritos. A maior parte delas foi escrita sob nossas vistas, outras foram tiradas de comunicações que nos foram remetidas por correspondentes ou que colhemos aqui e ali, onde estivemos fazendo estudos. Parece que para isso os Espíritos multiplicam aos nossos olhos os motivos de observação.
Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho foram as senhoritas B..., cuja boa vontade jamais nos faltou. O livro foi quase todo escrito por seu intermédio e em presença de numeroso público que assistia às sessões, nas quais tinha o mais vivo interesse. Mais tarde os Espíritos recomendaram uma revisão completa em sessões particulares, tendo-se feito, então, todas as adições e correções que eles julgaram necessárias. Esta parte essencial do trabalho foi feita com o con­curso da Senhorita Japhet[1], a qual se prestou com a melhor boa vontade e o mais completo desinteresse a todas as exigências dos Espíritos, porque eram eles que marcavam dia e hora para suas lições. O desinteresse não seria aqui um mérito especial, desde que os Espíritos reprovam qualquer tráfico que se possa fazer da sua presença, mas a Senhorita Japhet, que é também uma notável sonâmbula, tinha seu tempo utilmente empregado, mas compreendeu que também lhe daria uma aplicação proveitosa ao se consagrar à propagação da doutrina.
Quanto a nós, já declaramos desde o princípio, e temos a satisfação de reafirmar agora, jamais pensamos em fazer do Livro dos Espíritos objeto de especulação. Seu produto será aplicado a coisas de utilidade geral. Por isso seremos sempre gratos aos que, de coração e por amor ao bem, se associaram à obra a que nos consagramos.

ALLAN KARDEC[2]

[1] Rua Tiquetonne, 14.

[2] Paris. Tipografia de Cosson & Cia., Rua do Four-Saint-Germain, 43.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Princípio Espiritual

Decorre do princípio: "Todo efeito tendo uma causa, todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente". As ações humanas denotam um princípio inteligente, que é corolário da existência de Deus. Sendo Deus soberanamente justo e bom, criou seres inteligentes não para lançá-los ao sofrimento e em seguida ao nada, mas para serem eternos, sobrevivendo à matéria e mantendo sua individualidade. 

O princípio espiritual é independente do princípio vital, pois há seres que vivem e não pensam, como as plantas; "a vida orgânica reside num princípio inerente à matéria, independente da vida espiritual, que é inerente ao espírito".
O Princípio Espiritual juntamente com o princípio material, são os dois princípios constitutivos do universo.
O elemento espiritual individualizado constitui o espírito, enquanto que o elemento material forma os "diferentes corpos da natureza, orgânicos e inorgânicos".
Todos os espíritos "são criados simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir" por esforço próprio, através do trabalho imposto a todos até atingir a perfeição.
 
Antes que a Terra existisse, mundos se sucederam aos mundos e, desde que a Terra saiu do caos dos elementos, o espaço era povoado por seres espirituais em todos os graus de adiantamento, desde os que nasciam à vida, até os que por toda eternidade, tinham tomado lugar entre os puros Espíritos, vulgarmente chamados de anjos. 

Reforçando:

O princípio espiritual teria sua fonte no elemento cósmico universal?
Se assim o fosse, o princípio espiritual estaria sujeito às vicissitudes da matéria, ele se extinguiria pela desagregação, como o princípio vital.

Qual seria então a origem, a partida do ser espiritual?
O que Deus permite que seus mensageiros revelem, o que, aliás, o próprio homem pode deduzir do princípio da soberana justiça divina, é que todos procedem do mesmo ponto de partida, que são criados simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir e que todos atingirão o grau máximo da perfeição com seus esforços pessoais. Todos são filhos do mesmo Pai, objeto de igual solicitude. Nenhum há mais favorecido ou melhor dotado do que os outros nem dispensado do trabalho imposto aos demais para atingirem a meta.

"O Princípio Espiritual é o gérmen do Espírito, a protoconsciência. Uma vez nascido, jamais se desfará, jamais morrerá. Filho de Deus Altíssimo inicia então a sua lenta evolução, no espaço e no tempo, rumo ao principado celeste, à infinita grandeza crística. Durante milênios vai residir nos cristais, em longuíssimo processo de auto fixação, ensaiando aos poucos os primeiros movimentos internos de organização e crescimento volumétrico, até que surja, no grande relógio da existência, o instante sublime em que será liberado para a glória orgânica da Vida."  (Espírito Áureo, no livro "UNIVERSO E VIDA", à pág.42)

A benfeitora Joanna de Ângelis, na obra “Iluminação Interior”, na primeira lição (A Divina Presença), assevera que: ”... Manifestando-se em sono profundo nos minerais através dos milhões de milênios, germina, mediante processo de modificação estrutural, transferindo-se para o reino vegetal...”.

Nesse mesmo sentido, Emmanuel diz que: “A escala do progresso é sublime e infinita. No quadro exíguo dos vossos conhecimentos, busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de amor que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e invisível. O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade”. (O Consolador questão nº 79.)

Assim sendo, percebemos a exatidão da informação dos benfeitores espirituais quando, na questão nº 540 de “O Livro dos Espíritos”, dizem que “... É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele sempre começa pelo átomo”.

O homem Corpóreo

Do ponto de vista corpóreo e puramente anatômico, o homem pertence à classe dos mamíferos, dos quais unicamente difere por alguns matizes na forma exterior. Quanto ao mais, a mesma composição de todos os animais, os mesmos órgãos, as mesmas funções e os mesmos modos de nutrição, de respiração, de secreção, de reprodução. Ele nasce, vive e morre nas mesmas condições e, quando morre, seu corpo se decompõe, como tudo o que vive. Não há, em seu sangue, na sua carne, cm seus ossos, um átomo diferente dos que se encontram no corpo dos animais.

Como estes, ao morrer, restitui à terra o oxigênio, o hidrogênio, o azoto e o carbono que se haviam combinado para formá-lo; e esses elementos, por meio de novas combinações, vão formar outros corpos minerais, vegetais e animais.
Quanto mais o corpo diminui de valor a seus olhos, mais o princípio espiritual ganha importância; se o primeiro o nivela com os brutos, o segundo o eleva a uma altura incomensurável. Vemos o círculo onde o animal se detém; não vemos o limite que possa alcançar o Espírito do homem.

Princípio espiritual :

Decorre do princípio: "Todo efeito tendo uma causa, todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente". As ações humanas denotam um princípio inteligente, que é corolário da existência de Deus. Sendo Deus soberanamente justo e bom, criou seres inteligentes não para lançá-los ao sofrimento e em seguida ao nada, mas para serem eternos, sobrevivendo à matéria e mantendo sua individualidade. 

O princípio espiritual é independente do princípio vital, pois há seres que vivem e não pensam, como as plantas; "a vida orgânica reside num princípio inerente à matéria, independente da vida espiritual, que é inerente ao espírito".
O Princípio Espiritual juntamente com o princípio material, são os dois princípios constitutivos do universo.
O elemento espiritual individualizado constitui o espírito, enquanto que o elemento material forma os "diferentes corpos da natureza, orgânicos e inorgânicos".
Todos os espíritos "são criados simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir" por esforço próprio, através do trabalho imposto a todos até atingir a perfeição.
 
Antes que a Terra existisse, mundos se sucederam aos mundos e, desde que a Terra saiu do caos dos elementos, o espaço era povoado por seres espirituais em todos os graus de adiantamento, desde os que nasciam à vida, até os que por toda eternidade, tinham tomado lugar entre os puros Espíritos, vulgarmente chamados de anjos. 

Reforçando:

O princípio espiritual teria sua fonte no elemento cósmico universal?
Se assim o fosse, o princípio espiritual estaria sujeito às vicissitudes da matéria, ele se extinguiria pela desagregação, como o princípio vital.

Qual seria então a origem, a partida do ser espiritual?
O que Deus permite que seus mensageiros revelem, o que, aliás, o próprio homem pode deduzir do princípio da soberana justiça divina, é que todos procedem do mesmo ponto de partida, que são criados simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir e que todos atingirão o grau máximo da perfeição com seus esforços pessoais. Todos são filhos do mesmo Pai, objeto de igual solicitude. Nenhum há mais favorecido ou melhor dotado do que os outros nem dispensado do trabalho imposto aos demais para atingirem a meta.

"O Princípio Espiritual é o gérmen do Espírito, a protoconsciência. Uma vez nascido, jamais se desfará, jamais morrerá. Filho de Deus Altíssimo inicia então a sua lenta evolução, no espaço e no tempo, rumo ao principado celeste, à infinita grandeza crística. Durante milênios vai residir nos cristais, em longuíssimo processo de auto fixação, ensaiando aos poucos os primeiros movimentos internos de organização e crescimento volumétrico, até que surja, no grande relógio da existência, o instante sublime em que será liberado para a glória orgânica da Vida."  (Espírito Áureo, no livro "UNIVERSO E VIDA", à pág.42)

A benfeitora Joanna de Ângelis, na obra “Iluminação Interior”, na primeira lição (A Divina Presença), assevera que: ”... Manifestando-se em sono profundo nos minerais através dos milhões de milênios, germina, mediante processo de modificação estrutural, transferindo-se para o reino vegetal...”.

Nesse mesmo sentido, Emmanuel diz que: “A escala do progresso é sublime e infinita. No quadro exíguo dos vossos conhecimentos, busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de amor que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e invisível. O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade”. (O Consolador questão nº 79.)

Assim sendo, percebemos a exatidão da informação dos benfeitores espirituais quando, na questão nº 540 de “O Livro dos Espíritos”, dizem que “... É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele sempre começa pelo átomo”.