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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Desigualdade das Riquezas


Tema de estudo do ESDE II, para o dia 06/08/12

A desigualdade das riquezas é um dos problemas que em vão se procuram resolver, quando se considera apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é a seguinte. Por que todos os homens não são igualmente ricos? Por uma razão muito simples: é que não são igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar. Aliás, é uma questão matematicamente demonstrada que, supondo-se feita essa repartição, o equilíbrio seria rompido em pouco tempo, em virtude da diversidade de caracteres e aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente o necessário para viver, isso equivaleria ao aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e o bem-estar da humanidade; que, portanto, supondo-se que ela desse a cada um o necessário, desapareceria o estímulo que impulsiona as grandes descobertas e os empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em alguns lugares, é para que dos mesmos ela se expanda, em quantidades suficientes, segundo as necessidades. Admitindo-se isto, pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos. Essa é ainda uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Ao dar ao homem o livre arbítrio, quis que ele chegasse, pela sua própria experiência, a discernir o bem e o mal, de maneira que a prática do bem fosse o resultado dos seus esforços, da sua própria vontade. Ele não deve ser fatalmente levado a um nem ao outro, pois então seria um instrumento passivo e irresponsável como os animais. A fortuna é um meio de prová-lo moralmente; mas como, ao mesmo tempo, é um poderoso meio de ação para o progresso, Deus não quer que permaneça improdutiva, e é por isso que incessantemente a transfere. Cada qual deve possuí-la, para exercitar-se no seu uso e provar a maneira por que o sabe fazer. Como há a impossibilidade material de que todos a possuam ao mesmo tempo, e como, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, e o melhoramento do globo sofreria com isso: cada qual a possui por sua vez. Dessa maneira, o que hoje não a tem, já a teve no passado ou a terá no futuro, numa outra existência, e o que hoje a possui poderá não tê-la mais amanhã. Há ricos e pobres porque, Deus sendo justo, cada qual deve trabalhar por sua vez. A pobreza é para uns a prova da paciência e da resignação; a riqueza é para outros a prova da caridade e da abnegação. Lamenta-se, com razão, o triste uso que algumas pessoas fazem da sua fortuna, as ignóbeis paixões que a cobiça desperta, e pergunta-se se Deus é justo, ao dar a riqueza a tais pessoas. É claro que, se o homem só tivesse uma existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens terrenos; mas, se em lugar de limitar sua vida ao presente, considerar-se o conjunto das existências, vê-se que tudo se equilibra com justiça. O pobre não tem, portanto, motivo para acusar a Providência, nem para invejar os ricos, e estes não o têm para se vangloriarem do que possuem. Se, por outro lado, estes abusam da fortuna, não será através de decretos, nem de leis suntuárias, que se poderá remediar o mal. As leis podem modificar momentaneamente o exterior, mas não podem modificar o coração: eis porque têm um efeito temporário e provocam sempre uma reação mais desenfreada. A fonte do mal está no egoísmo e no orgulho. Os abusos de toda espécie cessarão por si mesmos, quando os homens se dirigem pela lei da caridade.

Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVI - item 8


sexta-feira, 27 de julho de 2012

DESIGUALDADES SOCIAIS E IGUALDADE DE DIREITOS DO HOMEM E DA MULHER


Estudo ESDE II - para 30/07/12
As desigualdades sociais provenientes das mais variadas condições econômicas e espirituais dos vários povos da Terra, são sempre “(...) obra do homem e não de Deus. (...)” (01)
 Deus, na realidade, criou os Espíritos iguais e destinados ao mesmo fim, mas os homens, por força das imperfeições morais que ainda possuem, criaram leis, muitas delas injustas e até mesmo cruéis, para regular as relações na Sociedade. Como consequência dessas leis, surgiram as desigualdades sociais, mais ou menos pronunciadas em determinadas nações, conforme o grau evolutivo dos seus constituintes humanos. 

             No entanto, o progresso segue seu curso  ascendente e ininterrupto e a desigualdade social, como tudo que é inferior, “(...) dia a dia ela gradualmente se apaga (...). Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição social.” (01)
               As desigualdades desaparecerão de modo lento e gradual, de acordo com o ritmo dos esforços individuais e coletivos, pelo progresso moral, quando então, serão destruídos os privilégios de casta, sangue, posição, sexo, raça, religião etc.
               Devemos compreender, porém, que com o  banimento das desigualdades sociais não ocorrerá um processo de uniformização dos homens. A espécie humana não se transformará em máquina, em um sistema robotizado. Os homens se orientarão pelas leis divinas, a fim de que os seus pendores naturais possam desabrochar e desenvolver normalmente, sem nenhuma atitude de coerção por parte de quem quer que seja. Haverá, evidentemente, quem ocupe cargos de maiores ou menores responsabilidades, mas, com o adiantamento espiritual, os seres humanos não sofrerão os males do egoísmo, da inveja, do orgulho e do preconceito.
               Do mesmo modo, numa sociedade moralizada, não se compreenderá a diferença, que ainda hoje se observa, entre homem e mulher. Neste sentido os Espíritos Superiores perguntam: “Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?” (02)
               Logo, perante os códigos divinos ambos possuem os mesmos direitos; a diferença de sexo existe por força da necessidade de experiências específicas por que o Espírito precisa passar. Aliás, o Espírito, centelha divina, não possui sexo, conforme as denominações  humanas.
               Entre o homem e a mulher existe a igualdade de direitos; “(...) das funções, não. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe compete. Ocupe-se do exterior o homem e do interior a mulher, cada um de acordo com a sua aptidão. A lei humana, para ser eqüitativa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido é contrário à justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. Sua escravização marcha de par com a barbaria. Os sexos, além disso, só existem na organização física. Visto que os Espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos mesmos direitos.” (03)

 “(...) A desigualdade social é o mais elevado testemunho da verdade da reencarnação, mediante a qual cada Espírito tem sua posição definida de regeneração e resgate. Nesse caso consideramos que a pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros.  Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus Cristo, a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos.”(04)

Bibliografia:
01 - Da Lei de Igualdade. In:_. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 76. ed. R.J.: FEB, 1995. Perg. 806, págs. 376-377.
02 - Perg. 817, pág. 380.
03 - Perg. 822, pág. 381.
04 - XAVIER, Francisco Cândido. In:. O Consolador Ditado pelo Espírito Emmanuel. 15.  ed. R.J. FEB, 1991. Perg. 55, pág. 45.